Ingredientes para tratamento de cordas de shibari
- Lu Rope
- 21 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Uma informação valiosa para além do conhecimento sobre os materiais das cordas, é a forma de realizar seu tratamento. O uso das cordas é, sem dúvida, um importante responsável por condicioná-las, mas seu tratamento é um fator que impacta fortemente na sensação do toque da corda na pele de quem é amarrade e de quem amarra, na facilidade do seu manuseio, durabilidade e aparência.
Pontos nos quais devemos nos atentar para manter as cordas idealmente tratadas e colher os frutos do processo: constância e ingredientes. Com que frequência você trata suas cordas e o que você utiliza?

Óleos indicados/de uso comum: Jojoba, Camélia, semente de uva.
Especificamente estes óleos têm características positivas para o processo de tratamento das cordas, pois penetram bem nas fibras, seu aroma é neutro e têm boa durabilidade, não apresentando aspecto rançoso com rapidez.
Compreender as composições é importante para tomarmos decisões como misturar estes óleos com outros ingredientes, como: cera de soja ou abelha.
O óleo de Camélia, por exemplo, apresenta média viscosidade pode ser combinado com ceras e transformado em uma cera de tratamento poderosa. Já o de Jojoba, que apresenta maior viscosidade (sendo conhecido, até mesmo, como "cera líquida"), não demonstra tanta necessidade de sua combinação com ceras.
Vemos comumente o uso de ceras com combinações propostas por marcas ligadas a prática do shibari, aqui no Brasil. Estas ceras costumam misturar cera de abelha, óleo de bambu, óleo de semente de uva, óleo de jojoba ou até cera de soja.

Quando falamos do uso de materiais "puros", sem mistura, o uso do óleo de Jojoba é um campeão entre praticantes no Brasil. Por isto, separei algumas características interessantes sobre ele para conhecermos juntes:
• Extração: prensado a frio
• Origem: sementes da planta
• Aroma: neutro
• Coloração: amarelo/dourado
• Resistência a rancificação: alta
• Estabilidade: alta
• Conservação: preferência por armazenamento em locais escuros e fechados
• Validade: a depender do seu armazenamento, pode se manter fresco seguramente por 2 anos (ou até mais)
• Diferenciais/Propriedades: absorção rápida, propriedades de proteção e antioxidantes, dissolve sebo excessivo, pode aumentar a durabilidade de outros óleos.
O óleo de jojoba não é tão fácil de encontrar ou acessível financeiramente quanto o de semente de uva, por exemplo, que pode ser uma opção com boa relação custo-benefício, porém oxida mais rápido que o de jojoba.
Óleos como de: oliva, coco, amêndoas, soja, girassol, são menos indicado para o uso no tratamento das cordas. Isso se dá por características como: validade mais curta, menor absorção (se mantendo apenas na parte superficial da corda), aroma menos neutro (que pode ser incômodo nas cordas).
Veja uma relação de alguns tipos de óleo com sua validade (lembrando que esta duração é aproximada, levando principalmente em consideração que o armazenamento do óleo impacta diretamente em sua validade):
Jojoba - 2 anos (podendo ultrapassar este período)
Camélia - 1 ano e meio a 2 anos
Semente de uva - até 12 meses
Amêndoas - 6 a 12 meses
Girassol - até 6 meses
O óleo de coco, apesar de ser um querido quando o assunto é "multifunções", não é uma boa opção para tratamento de cordas de shibari, pois:
• Tende a deixar a corda pegajosa, não penetrando em suas fibras e permanecendo apenas na superfície da corda
• É mais suscetível a rancificação (especialmente quando em contato com ar ou calor) o que gera um odor desagradável
• Favorece o aparecimento de fungos ou mofo nas cordas, a depender do armazenamento das mesmas
Dedicar-se a um tratamento minucioso e eficaz, conhecer melhor os materiais e formas de cuidar deles, é uma escolha um pouco demandante, pensando que hoje em dia queremos tudo feito "o mais rápido possível".
Mas considerando a importância que esse assunto tem (ou deveria ter, rs) para praticantes de shibari, talvez criar este momento alternativo de intimidade com as cordas seja interessante e você acabe começando a se divertir.
Espero que você tenha gostado deste "apanhado" de informações que reuni por aqui.
Quer sinalizar alguma correção ou contribuir com mais informações? Deixe seu comentário e não esqueça de compartilhar este texto com outres shibaristas.
Até a próxima :)
Texto por: Lu Rope

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